sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Os DVDs e os Blu-rays vão acabar?

Reprodução/AcronovaResultado de imagem para dvd e blu-ray
Assim como praticamente qualquer coisa neste planeta, é interessante colocarmos na balança os prós e contras antes de apedrejar ou cravar um certo ou errado. “Ah, mas o digital é mais barato, deixa ele dominar que não há nada de ruim”. Há sim, infelizmente.

Por um lado, temos o conforto de não precisar sair de casa e de eventualmente pagar mais barato por um produto comercializado em caráter digital. Afinal de contas, que gastos existem? Armazenamento no servidor, licenças, burocracia, direitos autorais para uso de imagem e utilização da marca.
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Por outro lado, existem as prateleiras e gôndolas de lojas, e elas precisam de preenchimento. Existem os funcionários presentes ali, a necessidade do espaço físico. Existem as empresas que trabalham exclusivamente com prensagem de mídias, a exemplo da Sony DADC, que fica na Zona Franca de Manaus, da Arvato, que até 2012 distribuía games em escala nacional no país, entre outras. Se a mídia física deixasse de existir, qual seria o propósito de existência dessas empresas? Pensou o mesmo que eu? Desemprego.

Raciocinem comigo: existem pessoas nesses lugares. Patrões e empregados, registros, trabalho formal! As mídias não se prensam sozinhas e precisam de seres humanos para a tarefa. Além disso, existe toda a logística de distribuição ao varejo para colocação nas mencionadas prateleiras e gôndolas, e isso exige uma dedicação ferrenha que se ramifica em diversos galhos do mercado.

Sem falar na magia. Que graça tem levar um monte de amigos pra casa ou ter aquela maravilhosa companhia e mostrar prateleiras apenas com porta-retratos de quando você tinha cabelo de tigelinha, enfeites exóticos e outros objetos enfadonhos? “Mas nossa, você que curte filmes, onde estão todos os seus Dvds e Blu-rays?”, alguém pergunta. E lá vai você ligar algum sistema para mostrar toda a sua “biblioteca” digital. Mas existe um argumento que detona as mídias físicas: pirataria. Nesse sentido, as empresas e outros serviços digitais têm um verdadeiro arsenal contra as práticas clandestinas, pois o catálogo digital é inteiramente comercializado em caráter oficial, com direito a manual por download, DLCs etc. Ponto para o mercado digital.

A necessidade de reinvenção da mídia física

Todos pensavam que o rádio morreria com a televisão. Ele se reinventou com a abertura de mercado, a expansão de mídias, soube aproveitar a internet e está aí até hoje. Alguns pregaram o fim do cinema com a chegada dos filmes às nossas salas. E as telonas estão aí até hoje (vide 3D, 4D etc.). 
Outros dizem que a mídia física pode acabar em função das tendências de distribuição digital. Analistas internacionais como Michael Pachter e Patrick Seitz adoram se mostrar “surpresos” com o mesmo patamar de preços entre as versões digital e física de um mesmo jogo – até existe razão nisso – e pregam o fim das mídias físicas.
O que este humilde redator que vos escreve pensa? Jamais as mídias físicas podem acabar! Elas geram empregos e fomentam o mercado! Não creio que elas vão acabar. Pelo contrário: acredito na reinvenção delas, assim como ocorreu com rádio ou cinema.
E outra: internet. A população mundial não tem acesso de alta velocidade – inclusive aqui no Brasil, país emergente com uma conexão muito aquém da demanda de mercado (e cara, diga-se de passagem). Mas que medidas poderiam ser aplicadas para que as mídias físicas não assinem o atestado de óbito?

Possíveis soluções

É natural que existam entraves numa indústria cada vez mais movida por caça-níqueis e metas gananciosas. Mas algumas medidas, digamos, “óbvias”, poderiam ser aplicadas sem prejudicar tanto a planilha financeira das empresas e publishers pensando no longo prazo.
É difícil agradar a gregos e troianos, mas o consumidor final certamente ficaria mais satisfeito com um preço mais barato por um produto comercializado digitalmente, é quando isso não acontece e os patamares em reais são quase visualmente falando os mesmos.
“Não faz sentido custar os mesmos R$ 49,90”, é o que nós nos perguntamos. Sentido até faz, pois existem taxas onerosíssimas que as empresas precisam pagar para a obtenção dos direitos de permanência no serviço, divulgação, armazenamento no servidor etc. Em outras palavras, os gastos que uma loja física têm – luzes, funcionários, aluguel do espaço, entre outros – também existem nos serviços digitais, só que de outra forma, naturalmente.
Ocorre que os custos pelo “aluguel virtual” são maiores. Se as empresas calcularem o volume de vendas X possível quantidade de consumidores X importância do filme em si, é possível baratear esse custo. Seria muito agradável comprar uma Mulher Maravilha da vida por R$ 30,00 nos serviços digitais e até US$ 40,00 em disco físico. A ausência da capinha, do encarte e do disco justificariam a redução do valor – até porque se trata de um filme já existente e que está recebendo uma portabilidade.
Agora, se as mesmas versões custam R$ 40,00 o que é possível fazer para atrair o cara que deseja ter o disco físico? O conteúdo "extra", "versões do diretor" nas versões físicas?

Futuro incerto

Nem Michael Pachter, nem Patrick Seitz, nem este redator aqui e nem Mãe Dinah têm bola de cristal. Não dá para cravar um certo ou errado, mas apenas especular de acordo com a flutuação do mercado.
A tecnologia passa por constantes metamorfoses e dita tendências. Assim como rádio e cinema quase viram seu fim, eles souberam se reinventar e hoje permeiam o cotidiano de todos nós. O mesmo pode ocorrer com as mídias físicas, seja pelas possíveis soluções apontadas ou por outras razões.
Mas uma coisa é fato: boa parte da magia nos filmes iria embora com um eventual fim das mídias físicas. Será mesmo o fim???

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